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Padre pode celebrar casamento gay?

“Se viesse hoje, Cristo seria mulher, pobre, negra e lésbica”, afirma o Padre Beto ao ser questionado sobre a forma que os homossexuais são tratados não está de acordo com os ensinamentos de Jesus.

Pouco mais de três anos após ser excomungado pela Doicese de Bauru (SP), Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como Padre Beto, tem viajado o Brasil para realizar casamentos gays. Ele, que é formado em Direito e História, foi punido em abril de 2013 ao divulgar vídeos na internet onde defendia temas audaciosos, como a união homoafetiva, fidelidade e necessidade de mudanças na estrutura da Igreja Católica.

No período da oficialização da excomunhão, Beto iniciou uma campanha nas redes sociais com objetivo de obter uma resposta sobre a decisão do Vaticano. O ex-sacerdote questionou o Papa sobre o que ele teria feito de errado para tal decisão e se realmente o Papa teria assinado o documento, diante da postura mais aberta do representante maior da Santa Sé, mas não obteve resposta. O assunto acendeu a discussão sobre a interferência de líderes religiosos nos casamentos homoafetivos.

A visão da igreja é homofóbica, pois aceita o homossexual frequentar os sacramentos religiosos, desde que viva em castidade. Ela aceita o homossexual, mas não a homossexualidade. E o resultado dessa determinação eclesiástica é o conflito interno do homossexual e a rejeição de sua sexualidade tanto por ele e por seus familiares.

O Vaticano se recusa a assimilar os conhecimentos adquiridos pela Medicina, Psicologia e Psiquiatria sobre a sexualidade humana, julgando os homossexuais como pessoas imaturas com problema transitório como, por exemplo, uma adolescência ainda não terminada. Daí se presume, que somente superando essa fase, o sujeito estaria preparado para viver o celibato? Homossexualidade não é problema, mas uma sexualidade. Imagine se uma empresa determinasse que seus funcionários fossem somente heterossexuais ou a igreja determinasse que os sacerdotes fossem somente brancos. O mundo estaria negando a diversidade.

O Padre Fábio de Mello não se calou diante da polêmica e considera que representantes religiosos não devem opinar nos casamentos gays. “A gente precisa dividir bem as questões. Uma é a questão religiosa, o posicionamento de aceitar; outra é a questão civil, o direito das pessoas reconhecer uma sociedade que existe entre elas (…) Acredito que o esclarecimento que precisamos ter, como líderes religiosos, é justamente a distinção. Se você quiser, pode chamar isso de casamento ou não, mas de uma união que esteja civilmente amparada, para que as pessoas possam garantir direitos que não religiosos.”

À época em que seus vídeos apoiando a comunidade LGBT viralizaram, a igreja tentou coagir o Padre Beto a pedir perdão e ele se recusou por crer que esse problemas devem ser discutidos com o povo de Deus. Desde sua expulsão da igreja católica, ele celebra e abençoa a união de casais homoafetivos pelo Brasil. O primeiro foi em 2014 na cidade de Jaú (SP), e o último foi em Trancoso (BA). Para o padre, o amor ultrapassa qualquer esteriótipo. “O amor para mim é um sentimento que surge entre pessoas e faz com que elas sintam a necessidade de permanecerem juntas, e ao mesmo tempo ver o sorriso estampado no rosto do outro”, refletiu.

*Matéria publicada no site Dois Terços.

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